O que meditar me ensinou

Já fui muito católica, já fui espírita também – hoje eu acho que sou aquilo que me faz bem. Tenho minhas santinhas, mas também frequento aulas de meditação budista e me apego ao melhor de cada um deles e, principalmente, naquilo que eu me identifico.

Mudar de país não é fácil, ops cadê a novidade? Mudar para o outro lado do mundo é mais difícil ainda. Andava me estressando muito rápido, colocando uma energia enorme (e não necessária) no trabalho e levando para casa um peso imenso nas costas: eu não queria (e não poderia) me dar ao luxo de não me acostumar.

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Entre as várias tentativas em me manter calma e voltar ao meu estado mindful de apreciar as coisas lindas da vida eu me inscrevi em uma aula de meditação. Fiquei bem ansiosa antes da primeira aula porque eu sempre fui terrível em manter foco pensando em nada – aliás eu sempre penso em algo. “Como é que eu vou ficar duas horas sem poder pensar?”. Pra minha grande surpresa, essas aulas de meditação passaram a ser cursos em mindfulness nas quais eu aprendi algo toda semana e aprendi, principalmente, que meditar não necessariamente significa pensar em nada, mas treinar a sua mente a fazer uma coisa só de cada vez e, principalmente, estar presente!

Entre essas tantas aulas, queria muito poder compartilhar 4 lições que adorei ganhar conhecimento sobre:

Sobre a preocupação

Se você tem um problema que pode ser solucionado, não existe razão para se preocupar. Se você tem um problema que não pode ser solucionado, não existe razão para se preocupar.”

Esse é um provérbio budista até bem conhecido por quem os lê – e apesar de parecer simples é bem complicado de incorporar. Um dos grandes ensinamentos da monge é que você tem que aprender a desprender daquilo que não te faz bem e a preocupação é algo totalmente inútil: ela não te ajuda a solucionar nada e quando não existe solução ela só traz apego a aquilo que deveria ser esquecido.

Entre as tantas táticas em praticar a não preocupação ela cita o exercício físico, praticar hobbies que desocupem a mente, beber água, tente mudar a perspectiva – pense sempre positivo, relaxe, medite e procure ajuda quando necessário.

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Desapegue!

Você deve entender que para cada ação diferente que você tem em um mesmo dia, o seu eu anterior teve que deixar de existir para que o outro possa tomar lugar.

Trazendo para uma situação real: imagine um dia de trabalho no qual você discute algo com um colega. Os ânimos ficam à flor da pele, mas você sabe que tem que respirar fundo porque sabe que vai precisar trabalhar com aquela pessoa logo mais tarde. Segundo essa filosofia do budismo, o seu eu que brigou com aquela pessoa mais cedo já deixou de existir para que o seu eu que precisa trabalhar com essa e outras pessoas pudesse tomar lugar. Soa um pouco drástico mas pense que morremos e revivemos a cada ação que praticamos, a cada escolha que fazemos e a cada pessoa que conversamos – isso ajuda a pensar em como podemos praticar o desapego.

A monge vai até mais longe e explica que esse exercício é muito importante em casos de separação, por exemplo. Imagine que você passou anos se relacionando com alguém quando resolveram se separar? É muito difícil imaginar seu dia a dia sem essa pessoa especial, mas pensar que esse seu eu morreu e ficou para trás ajuda a superar o luto que é se separar de alguém e enxergar outro começo.

Faça uma coisa de cada vez

Um dos segredos em praticar o “estar presente” é fazer uma coisa de cada vez e isso é algo bem simples de incorporar no dia a dia. É bem fácil pegar o celular para checar mensagens enquanto você está com a televisão ligada e comendo algo. Acontece que a gente não presta atenção plena em nada! Isso só alimenta a nossa ansiedade e a sensação de que nada está bom em nenhum momento: saber acalmar a mente é tão importante quanto cuidar de qualquer parte do corpo.

Da próxima vez que for ver alguma série não pegue o celular. Quando estiver comendo não assista TV e não pegue o celular. E quando estiver no celular não tente cuidar de outras coisas ao mesmo tempo. Lembre-se que fazer uma coisa de cada vez é praticar mindfulness.

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Assuma intenção positiva

Esse é o mais difícil para mim. Vira e mexe eu me pego achando que alguém fez algo por maldade ou com más intenções quando, na realidade, deveria dar o benefício da dúvida ou simplesmente pensar positivo antes de reclamar. A gente também tem dias difíceis e às vezes acaba sendo grosso sem querer ou não presta atenção quando alguém fala com a gente porque a cabeça anda em outro lugar. Quem nunca? Praticar a empatia também faz bem :).

Em resumo, não tem fórmula mágica para ser uma pessoa mais calma e presente a não ser ter força de vontade e a disciplina!

Pra quem está em São Paulo, a escola que eu pratico meditação tem 10 filiais na capital – e outras no Brasil – www.meditadoresurbanos.org.br. Já pra quem curte meditar em casa, eu AMO o Headspace é um app de meditação rápida (10min por dia) que ajuda muito na iniciação a essa prática sem volta <3.

Restaurantes preferidos em Singapura – Culinária Internacional

Eu já disse no post anterior como foi (e ainda é) difícil me acostumar a comida aqui: primeiro que sou alérgica a frutos do mar e segundo que não gosto de comida apimentada. E adivinhem qual é o prato simbólico de Singapura? Chilli Crab. Não só isso, frutos do mar são maravilhosos por essas bandas (palavras de quem pode comer) e têm muita influência da gastronomia indiana, tailandesa, balisena e etc que fazem com que a maioria dos pratos aqui tenha pimenta – e não é pouca.

Esse primeiro post aqui é o resultado de uma longa exploração pelos restaurantes que caem no meu paladar. Você não vai encontrar pratos locais típicos que contenham demasiada pimenta ou frutos do mar – para isso farei outro post com apoio de amigos haha.

> ESQUINA <

Esse é meu preferido de longeee. É um restaurante típico de tapas espanholas que é de dar água na boca. O menu não é extenso, mas vai por mim que não tem erro. Você consegue ver o cardápio todo no site e as comidinhas variam na hora do almoço e jantar – ambos têm opções deliciosas. Tem que reservar, o lugar é pequeno e fica cheio de gente.

www.esquina.com.sg – 16 Jiak Chuan Rd, Chinatown | Aberto de terça a sexta das 12h30-14:30 e 18:00-22:30. De sábado e segunda das 18:00-22:30 – não abre aos domingos, mas recomendo segui-los no Facebook porque de vez em quando eles fazem uns eventos legais na rua.

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> IZY DINING & BAR <

Meu japonês preferido aqui até agora. Sempre que vamos testamos algo novo e da última vez fomos de Omakase – a moda do chefe e um total de 8 pratos. Saímos rolando, mas mega felizes. As peças são mega frescas e suculentas e os pratos da casa, wagyu tomato sukiyaki e wagyu truffle don, valem a pedida. O que ninguém vai te contar é que atrás do restaurante tem um bar maravilhoso, o Caché – você pode pedir para dar uma passadinha lá e se jogar nas bebidas que são ótimas também.

www.izy.com.sg – 27 Club Street, Chinatown | Abre todos os dias das 12h-14:00 e a partir das 18h depois. Reservem! O lugar é pequeno.

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> PIETRASANTA <

Esse é aquele italiano que te faz lembrar os almoços de domingo em casa. Quando chegamos aqui eu estava mortinha de vontade de comer uma lasanha. Peguei nosso amigo Google e pesquisei, pesquisei e fui com a cara desse. Desde então já voltamos muuuitas vezes e nunca dá erro. São dois irmãos italianos residentes de Singapura que resolveram abrir o lugar. A casa não fica em uma rota perto de outros bares e restaurantes, melhor reservar antes de ir. Ah, eles não tem menu de vinhos, mas uma adega walk-in: você entra, vê todos os vinhos disponíveis e escolhe dali – muito amor.

www.ristorante-pietrasanta.com – 5B Portsdown Road, #01-03 | Abre de segunda a sexta das 11h45-14:30 e 17:45-22:30; aos sábados e domingos das 11h45-14:45 e 17:45-22:30. Fecha às terças.

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> BISTECCA <

Pensa em uma carne boa. Pensa em um tortelini bom. Pensa em tudo isso junto. Bistecca é uma casa de carnes italiana que acabou de ser reformada e vai vir com um menu todo novo também que eu estou morrendo de vontade de provar! Nada que eles fazem é ruim e sem brincadeiras deve ser o restaurante que mais voltamos desde que nos mudamos para Singapura.

www.bistecca.com.sg – 25 Mohamed Sultan Road, River Vally | Abre de terça a domingo das 12:00–14:00 e 18:00–22:00; as segunda das 8:00–22:00 (vão reabrir em Novembro).

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> BLU KOUZINA <

Eu tenho adoração por comida grega e não poderia ser diferente: assim que botei meus pés em Singapura já fui logo investigando sobre restaurantes gregos e achei esse. O Blu fica em um complexo que é lotado de restaurantes (Dempsey Hill) e tem um dos melhores preços-qualidade da cidade. Tem vinho grego, polvo suculento, hummus e pão pita, azeite grego, moussaka e todo o que você pensa de culinária mediterrânea. É perfeito para um almoço tardio de final de semana.

www.blukouzina.com – 10 Dempsey Road, Dempsey Hill – (BLK 10), #01-21 | Abre todos os dias das 12:00-14:30 e das 18:00-22:00.

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> THREE BUNS <

MELHOR HAMBURGER DA CIDADE. É difícil um hamburger não dar certo, mas o que eu gosto do Three Buns é que o lanche deles é simples e suculento – a carne australiana vem ao ponto e o queijinho derretido na medida certa. Eles têm um menu até que audacioso com lanches que incluem melancia (sim!) e pimenta. Pra quem curte algo mais “zona de conforto” o Baby é a pedida certa. O lugar também é lindo, super descolado e fica em um bairro cheio de lugares para comer e beber.

www.threebuns.com – 36 Keong Saik Road, Chinatown | Abre de terça a domingo, das 12:00-00:00.

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> OPEN DOOR POLICY <

É daqueles lugares orgânicos, gluten free com pratos vegetarianos e veganos também que conseguem agradar até quem acha que toda essa combinação ali de cima é impossível de ficar gostosa.

www.odpsingapore.com – 19 Yong Siak St, Tiong Bahru | Abre de segunda a sexta das 12:00-15:00 para almoço. De segunda à quinta e domingos das 18:00-23:00 para jantar. O brunch é servido aos sábados e domingos das 11:00-16:00 – não abre às terças.

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> BOCHINCHE <

A pessoa sai da Argentina, mas a Argentina não sai da pessoa. Bochinche é um restaurante argentino que tem empanadas (sim), provoleta (sim), alfajor (sim), bife de chorizo (sim), chimichurri (sim), posso continuar aqui… Enfim, não é para comparar um restaurante argentino de Singapura com um de Buenos Aires, mas dá pra quebrar o galho quando bate a saudades.

www.bochinche.com.sg – 115 Amoy Street #01-02, Chinatown | Abre de segunda a quinta das 12h00-14:30 e 18:00-22:30; às sextas das 12h00-14:30 e 18:00-23:00. Aos sábados das 11:00-15:00 e 18:00-23:00. Domingos das 11:00-15:00.

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Outros lugares que vira e mexe vamos:

Bella Pasta: aquele italianinho que não tem erro e é bem sem frescura.

Foc: tapas espanholas (mais em conta que o Esquina). Eles têm uma filial em Sentosa que dá um charme – imagina tomar sangria curtindo uma praia?

Aloha PokeA Poke Theory: para quem curte um poke havaiano. Eu sou mais fã do A Poke Theory porque dá pra montar a gosto do cliente :)

Wine Connection + Cheese Bar: pra quando você quer um lugar que tem comida e vinhos em conta. É um lugar grande, de filial, mas bem simplão. Daqueles dias que você não quer pensar onde ir.

OSO: italiano charmosíssimo que fica em um hotel lindo. Pra um date mais pomposo.

*Essa lista vai ir sendo atualizada com o tempo :) tem dicas? Coloca aqui nos comentários!

Nosso caminho até a Ásia

Me lembro que quando morávamos em São Paulo sempre dizíamos que deveríamos fazer uma viagem pelo Sudeste Asiático de, pelo menos, um mês e teríamos que fazer ainda jovens – “imagina o calor que não deve ser? E a comida? Imagina pegar virose velhinho? Não, não rola“. É engraçado relembrar disso hoje e encontrar muitos velhinhos pelas nossas viagens por aqui.

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Apreciando o pôr do sol em Bali.

Eu JAMAIS pensei em morar na Ásia. Singapura então? Nem passou pela minha cabeça. Quando começamos a cogitar morar em outro país pra mim era fato: EUA ou Europa. Imaginem a minha surpresa quando M. entrou no carro voltando do trabalho e disse: “O que você acha de Singapura? Não está nada certo, mas é uma possibilidade.” Eu nem lembro o que eu respondi – muita gente diz que se um fato te provoca trauma a sua cabeça não se lembra. Pois bem, acho que o choque foi tão grande que eu apaguei isso da memória haha.

Eu devo ter aberto o Google e procurado imagens de Singapura (com certeza) e devo ter visto o Gardens by the Bay e o Marina Bay Sands (tenho certeza absoluta). Devo ter achado legal que era uma ilha e um desespero quando vi que eram para voltar, pelo menos, 28h até GRU, mais 2h até casa. Aí a hiperventilação começou afinal, eu não curto viajar de avião.

Muito do começo da nossa vinda para cá me lembrou de quando me mudei para Buenos Aires: eu nunca tinha visitado a cidade e muito menos imaginava morar lá. E muito como Buenos também, eu nem pensava em Singapura – estava muito longe do meu cotidiano. Hoje eu vejo que a grande separação que o mundo tem (geograficamente falando): é Ocidente e Oriente – depois explico mais.

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Katong: um do bairros mais fofos de Singapura.

O que me deu um alento foi de pensar (também como eu pensava em Buenos) que nada era pra sempre e se eu quisesse eu voltaria – me apeguei tanto a isso que não quis mexer na nossa casinha em SP: deixei as plantinhas sob os cuidados da sogrita, dei algumas pra mamis e estão todas bem <3.

As coisas aconteceram muito rápido. Achei que depois que nós dois tivéssemos aceito a oferta de trabalho teríamos, pelo menos, uns dois meses até o visto ficar pronto – mas eu também hiperventilei quando fiquei sabendo que o visto estaria terminado em 3 semanas. 3 SEMANAS. “Que país é esse? Eles não verificam nada? Como assim 3 semanas? A menina da imigração deve estar falando coisa errada.” Shame on me, em 3 semanas estava tudo pronto e era só arrumar as malas. Vocês não tem ideia de como eu chorei e do aperto que meu coração sentiu. Aliás dá vontade de chorar fazendo esse post.

Faziam só dois anos que eu tinha voltado de Buenos Aires para ficar perto da minha família, mas lá estava eu me mudando de novo, mas para um lugar totalmente diferente e eu não sabia o que esperar. Claro que dessa vez foi diferente e seu eu não tivesse meu amorcito do lado acho que jamais faria essa mudança <3.

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Nossa primeira viagem foi à Phuket. Imagina morar a duas horas de lá?

Singapura estava tão longe dos meus pensamentos que eu realmente não sabia o que esperar e acredito que se eu tivesse visitado o país antes de vir, a mudança teria sido muito mais dolorida e explico porque: o país é minúsculo, faz calor o dia todo e eu tenho dificuldades com a comida. Parece o apocalipse né? No começo eu achava que estava presa numa caixa de fósforo haha. Singapura é como se fosse um parque de diversões: tem atrações (mas são limitadas), a comida e bebida são caras e é tudo tão bem planejado e esquematizado que parece montagem. Demorei meses para conseguir colocar uma calça jeans e só agora consigo andar debaixo do sol sem parecer que estou jogando futebol há 2 horas.

Mas sabe? Pra tudo isso você da um jeito: meu corpo eventualmente se acostumou ao calor, achei lugares que curto comer e bairros que adoro visitar. E sempre que dá, estamos viajando – e que lindo é morar a duas horas de Bali, Camboja, Tailândia, 4h das Maldivas, 3h do Vietnã e assim por diante. E eu realmente não sabia o que era morar em um lugar seguro. Seguro de verdade, um seguro livre que você não precisa de cadeado, tranca e segurança em todos os lugares. E que lindo é morar em um lugar eficiente: entre sair de casa e chegar até a porta do avião com imigração, check in e raio x incluídos demora 35-40m.

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Também nunca imaginei visitar o Sri Lanka.

Eu tinha me esquecido também do banho de água fria que é se acostumar a cultura local. Nossa sorte é que Singapura tem gente de todos os lugares do mundo e perto dos outros países da Ásia é bem tranquilo de se acostumar. Singupura tem maioria chinesa, malai e indiana e foi colonizada por britânicos até ser independente nos anos 60. É uma mistura tão interessante e linda ver que budistas, hindus, islâmicos e cristãos convivem em um espaço tão pequeno e em tanta pacificidade. No mundo de hoje, isso é um alívio e digno de ser contado – infelizmente, também, uma exceção. Diferentemente de quando morei na Argentina que hora ou outra sofria um assédio ou outro por ser brasileira, aqui nós fomos muito bem recebidos. Por todo mundo. E se há algo que eu não posso reclamar é que o povo daqui não sabe receber e acolher – pelo menos essa tem sido a nossa experiência.

Morar na Ásia é também entrar em um livro de história desconhecida e entender que essa lugar tem tanta, ou mais história, que Europa. É fantástico poder fazer aulas de mandarim, por exemplo, e ver o buraco negro que os idiomas orientais têm comparados aos ocidentes e como, sim, eles são profundos e de alto contexto. Por exemplo, em mandarim não existe uma tradução para o “sim”, logo sempre que alguém quer falar algo próximo ao sim eles falam “yes” e repete o que você disse. A repetição é uma forma de afirmação. Cada caractere (e são mais de 80,000) na língua chinesa representa algo que pode mudar com o contexto. Isso é muito refletido no dia a dia no trabalho com nativos que tem mandarim como língua materna falando em inglês: é difícil fazer a tradução do que eles pensam pelo contexto e é fo** ver como você vai se acostumando a isso.

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Tantas experiências legais <3.

Semana passada eu fui comprar vinho no mercado. M estava viajando e eu queria meia garrafa. Estava perambulando pelas opções quando uma atendente pergunta:

– Help? (assim direto, se subentende que ela estava me oferecendo ajuda).

– Yes, do you sell half bottles of wine here? I don’t see any.

– Half bottle, ha? Wine?

– Yes (me toquei que tinha dado muito detalhe e para quem não fala muito bem inglês, menos é mais).

– No. No half bottle. Can’t lah. Money lah. (O “lah” faz parte do Singlish que é um inglês de Singapura misturado com muitos idiomas, entre eles, Malai, Hokkien, Tamil e Cantones. É algo bem coloquial. Nesse caso o “lah” é como se fosse uma entonação e dependendo do contexto muda de significado. Nesse exemplo ele serviu para demomstrar como ela estava indignada com o fato de eu querer comprar meia garrafa de vinho quando valia mais a pena comprar a garrafa inteira. Não precisou dizer tudo, mas estava no contexto).

– Ok. I’ll have a big one.

– Big better lah. Tomorrow finish. This one, good good. (De novo, o “lah” estava lá para confirmar que a garrafa grande de vinho era de fato melhor que a pequena – isso eu já sabia haha. O “tomorrow finish” estava indicando que se eu não tomar tudo hoje eu posso guardar e terminar amanhã o vinho. No que ela me aponta uma garrafa para levar ela termina dizendo “good good” que como eu disse acima a repetição é uma afirmação para eles).

Parece simples, como essa conversa de mercado, mas quando você traz para o mundo corporativo pode ser um desafio. Mas é demais e está sendo muito valioso – eu não tinha ideia de que iria ter que aprender a me reestruturar em pensamento e adaptar o jeito que monto frases. Que tiro. E são nesses momentos que você aprende a “bounce back” de tudo e volta mais forte e mais cheio de histórias e um entendimento real de como as coisas funcionam do outro lado do mundo. Para a outra metade do mundo, que hoje é maioria. É acho que minha bolhinha explodiu e nunca mais vai voltar a fechar.

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Maison Ikkoku, um dos bares que mais curtimos aqui.

Espero que vocês tenham gostado do post lah. :)

Banteay Srei e Phnom Kulen Park

No primeiro post mostrei os templos mais famosos do Camboja (veja aqui), mas no post de hoje vou mostrar o Banteay Srei e o parque nacional Phnom Kulen. Ambos ficam próximos um do outro, mas também a uma certa distância de Siem Reap. Nós pegamos um motorista e um carro do hotel e partimos bem cedinho para lá – demoramos ao redor de 2h para chegar. Vimos muitos tuk tuks no meio do caminho, mas se você puder vai de carro porque primeiro que é mais seguro e segundo que é mais rápido – juro que dava aflição toda vez que os carros passavam voando por entre os tuk tuks que íamos encontrando pela estrada.

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Cachoeira dentro do parque.

O caminho não é maravilhoso e fora uma plantação de arroz ou outra não tem atrativos. Nossa primeira parada foi o Kulen Park. A estrada que te leva até o coração do parque é tão apertada (e mal feita) que até às 11:00 da manhã carros só entram e do meio dia até às cinco começa a operação descida, isso porque literalmente não tem espaço para dois carros passarem e não tem como fazer manobra. Tirando o aperto hehe a Kulen é considerada a montanha mais sagrada do Camboja isso porque acredita-se que o rei Jayavarman II nasceu e foi coroado lá.

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Big Buddha no topo da montanha.

Existem mais de 50 (sim) templos no topo da montanha. Um deles é uma estátua de 8 metros do Buddha atingindo o nirvana (foto acima). Logo abaixo tem uma pagoda que recebe muitas visitas locais de gente que vem trazendo oferendas. É muito energizante ver as pessoas rezando e deixando flores de lotus nos pés do Buddha. Foi achei uma experiência incrível.

Depois de visitar o Buddha fomos passear pelas duas cachoeiras do parque. Cambojanos acreditam que as águas dessas cachoeiras são sagradas também e é muito comum ver gente levando garrafas de água embora pra casa.

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O caminho para a cachoeira era cheio desses balanços. Muito amor.

Apesar do peso sagrado que o lugar carrega para quem acredita na divindade que ele possui, o parque é um típico passeio de final de semana dos moradores da região. E é por isso que curtimos tanto visitá-lo. É cheio de história, mas também é cheio de vida – famílias fazendo piquenique, crianças na água, gente tirando foto e aproveitando a natureza.

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Segunda cachoeira dentro do Phnom Kulen.

Saindo de lá partimos para Banteay Srei e um fato: foi o tempo que mais gostamos de visitar. A construção vem lá de 967 e é um dos menores templos de Angkor e mais se parece a uma galeria de arte tamanha a maravilha das esculturas de pedra que existem por lá. Me lembro que logo depois que fomos embora, abri um artigo da Lonely Planet que dizia que para muitos, Banteay Srei é considerado a jóia da coroa da arte angoriana e a gente não poderia concordar mais.

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O templo mais lindo de todos.

Banteay Srei significa ‘Citadela das Mulheres’ e nosso guia comentou que o templo deve ter sido construído por mulheres já que os detalhes nas esculturas não conseguiriam ter sido feito por homens. Não é só aí que se vê a feminidade do templo: em algumas esculturas você consegue perceber pessoas segurando flores de lótus que acreditam que sejam mulheres. Banteay foi a nossa surpresa desse dia.

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Cores.
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Detalhes <3.

Não nos cansamos de ver os detalhes em cada pedra e parede do templo e apesar da visita durar 50m nós poderíamos ter passado muito mais tempo por lá. Logo na saída do templo, há também um museu que demonstra os vários achados quando o templo foi redescoberto e a saga para a sua restauração nos anos 30 – dizem ser também uma das restaurações mais bem feitas do mundo e por isso a experiência por lá é tão significativa: está tudo bem conservado. E logo na saída do templo tem também um cafezinho delícia no qual paramos para comer algo e descobrimos que o café do Camboja é  maravilhoso.

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A gente poderia ter ficado lá um dia inteiro.
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Pode voltar?

Chegamos a conclusão que nossa ordem de preferência de templos no Camboja aconteceu em order inversa as nossas visitas. Jamais desmerecendo nenhum daqueles que visitamos no comecinho, mas a impressão que tivemos era que a maior distância de Angkor e menores os templos, maiores as histórias.