Paris. Apenas.

Acho difícil fazer posts de Paris porque não sei porque onde começar, vocês já vão entender porque. Eu não curto fazer post didático, daqueles que tem informação mastigada e o que fazer em cada dia, curto mesmo contar a experiência e mostrar os lugares que eu fui.

Por isso Paris é complicada porque, vejamos. Eu vinha em um êxtase tão grande com Londres que era difícil querer sair de lá. Aproveitei muito, conheci muita gente e todo mundo me falava que isso não ia rolar em Paris. Se bem eu senti uma briga entre Londres e Paris, eu achei que era meio exagerado. Mas vejam só…

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No dia da minha viagem à Paris eu pedi um táxi para o hotel que estava hospedada em Londres para me levar a St. Pancras de onde sai o Eurostar (empresa de trem que faz Paris-Londres, leva para Amsterdã também, etc). Saí do hotel faltando uma hora e meia para embarcar porque queria fazer tudo tranquilamente, mas tava com um nó na garganta que vocês não tem noção (eu cheguei até a atrasar a minha passagem para Paris. Tinha comprado para ir às 8h da manhã e acabei indo só as 17h da tarde, juro) não queria ir, não me matem. Mas eu fui gente, calma. O taxista chegou no hotel e entrei no carro. Taxista era do Afeganistão. Veio conversando horrores comigo, mostrou foto dos filhos, da esposa que era prima que ainda estava por lá, etc <3. Ainda que ele parecesse querido, fiquei meio desconfiada porque ele fazia umas perguntas bem intrometidas: tem filhos? Onde está seu marido? Quantos anos tem? Pra qual empresa trabalha? Nisso tentei me desviar de todas elas. O cara era simpático, mas gente, ele dirigia MUITO mal, mas muito mesmo. E enfim, ele bateu carro indo para a estação.

Começou aí. Eu fiquei tão assustada que já imaginei que iam me levar pra Polícia, vish, pirei. Minha sorte ou não é que o motorista saiu rápido do carro, viu que não tinha ocorrido nada e seguiu viagem, mas eu fiquei bem assustada e não abri mais a boca durante o trajeto. Além do meu nariz estar doendo pela batida (bati a cara no encosto do assento) eu estava petrificada de medo ahaha, quando chegamos na estação ele ainda me deu um papel com telefone dele caso um dia eu voltasse a Londres ou quisesse ir para o Afeganistão.

ENFIM, entrei para despachar as malas no embarque da Eurostar (muito simples! Fácil) e logo fui na imigração. O policial francês me atendeu com cara de poucos amigos. E aqui gente, o segundo problema da tarde: meu passaporte estava com a foto estragada. Eu não sei como aconteceu, mas depois que o amigo da imigração de Londres passou o documento no scanner a foto ficou branca, com um furo no meio. Eu não tinha visto aquilo antes e fiquei gelada na imigração. O policial chamou deus e o mundo, ficava me olhando com cara de bravo e falando comigo em francês, ao que eu entendia mas não conseguia responder no idioma. No final das contas ele foi bem direto: você só vai entrar porque vai de Paris ao Brasil depois, porque se você fosse seguir viagem eu não deixaria você passar.

Fiquei assustada porque confesso que  tenho medo dessas coisas mesmo, agradeci ao santinho pela ajuda e quis ligar no Consulado aqui de Buenos Aires por terem impresso o pior passaporte da MINHA VIDA. O cara tinha razão, passaporte tava bem zuado. Passado isso, entrei no trem, acomodei as malas. Uma menina francesa bem linda e metida estava no meu lugar e não quis sair. Respirei fundo, fiquei com preguiça de brigar e fiquei no lugar que era dela, ao lado de um cara dos EUA bem parecido ao Pharrel. Adoro.

Esse cara ao meu lado, o Don, começou a beber altas garrafas de whisky e claro, começou a falar comigo no maior NYC style. Eu achei engraçado e até me senti em casa com ele porque ele era dos EUA, mesmo continente basicamente, etc. Não me perguntem qual era meu esquema de raciocínio neste momento ahaha. Demos altas risadas e acabei descobrindo que ele é um top TOP modelo americano que mora em Londres por muitos anos e estava indo pela primeira vez à Paris para fazer uma fotos para o BOTICÁRIO hahaha, quis morrer com a coincidência. Achei bem legal e só conversamos mais a partir daí. Trocamos contato e até hoje ele me pergunta quando vou sair de balada com ele em Londres porque ele tem OS CONTATOS por lá. Aí já me imagino indo na mesma balada que o príncipe né, aquelas HAHAHHA, quero MUCHO.

A viagem foi bem tranquila. Porque passa pelo canal fiquei com os ouvidos tapados boa parte do tempo, mas nada que incomodasse muito como a vertigem que eu tive por pegar um assento de costas para o fluxo. Isso tem que ver antes de reservar ok? Viajar de costas em alta velocidade é tipo fueda. Mas ok. Cheguei em Paris desejando meu ap, e procurando meu transfer.

Eu contratei a Paris Étoile para me buscar na estação. Fiquei segura porque eles eram brasileiros (sou bem conterrânea ahha) e porque não sabia direito como chegar, tava com mala etc. Mario apareceu lá e cheio do sorrisão para me buscar, perguntando se eu morava em London (fuen que não) e me falando já das viagens dele e de tudo o que ele fazia. Adorei poder falar com alguém brasileiro depois do susto do dia haha. Mas Mario foi minha salvação porque o ap que eu aluguei no AirBnb gente… Assim, não foi a pior coisa da vida, mas cara, foi zuado.

O ap tinha altas recomendações boas (quase nenhuma negativa), ficava no Marais (região boa) e era ótimo para quem estava indo sozinha. Acontece que o dono do ap não estava quando eu cheguei e me comentou que havia deixado as chaves embaixo do vaso de flores da entrada (tudo isso em francês, ok?). Eu e Mario reviraaaaaamos a entrada e nada. Mario ligou para o bendito e nada dele atender. Relemos a mensagem do cara e nada. Mario já estava vendo outro hotel para eu ficar e eu achei que tudo era pesadelo ahaha. Até que achamos as chaves: estavam embaixo de um vaso de cimento MEGA pesado que eu JAMAIS teria condições de empurrar.

Já dentro do ap, Mario se foi e eu fiquei lá. Para minha surpresa não tinha papel higiênico e eu tive que sair para comprar. Paris, segunda-feira, 9h da noite. NÃO HAVIA NADA ABERTO. Nada, as vielas eram escuras, estava garoando e muito frio fazia. Gente, eu chorei. Tava de TPM ainda. Achei um mercadinho não sei como aberto e comprei papel, mas não sabia voltar pra casa. No ap não tinha mapa, não tinha nada que me ajudasse a me achar por lá. Me arrependi MUITO. Deus ali guiou e eu magicamente achei o prédio (sem falar que eram todos parecidos, né?) Por favor que desespero, ruas escuras, zero pessoas na rua.

Nessa mesma noite, a sorte foi que um cara que eu tinha conhecido em Londres estava em Paris e me chamou para jantar com ele. Sorte mesmo porque ele conhecia Paris como local porque já havia morado lá e sabia onde ir, falava francês etc. Ari salvou minha vida ali também. Tivemos um jantar agradável, ele me levou para casa e eu queria descansar.

Mas o ap não tinha calefação (ou melhor tinha, mas tinha racionamento de calefação e eu só fui descobrir isso no terceiro dia quando o dono do ap me respondeu ao e-mail comentando que ela ficava ligada só a tarde, justamente quando eu não estava em casa). Gente, que desespero. Acordava e dormia com dor de cabeça.

Essa foi minha primeira noite em Paris, não se assustem tem coisa boa, mas ficam aqui as minhas dicas:

– Paris é uma cidade antiga, todo mundo sabe. Mas na hora de alugar um ap PENSE EM TUDO. Calefação durante outono e inverno é essencial e estraga mesmo tua viagem se isso não está funcionando.

– Em Londres eu fiquei no Soho, não tinha um dia que aquilo não estava cheio, mas não é a regra, ok? As coisas na Europa fecham cedo. Paris, por exemplo, deu duas da matina já tá miado. Por isso passei aperto naquela segunda-feira onde eu não achei nada aberto para comprar papel.

– Fale francês. Eu sei o básico e estudei ante de ir e mesmo assim não foi suficiente para me tratarem ok. Infelizmente (#chatiada). Aliás no caso de não falar é mais fácil você conseguir conversar com alguém em espanhol ou português que inglês.

– Mario. Esse anjo brasileiro expatriado francês me salvou a viagem inteira (ainda vou voltar a falar dele nos posts), mas ele tem uma agencia de viagem que é a Paris Étoile (www.parisetoile.fr), super de confiança. Ele te pega no aero, estação, faz passeios. Ele e a equipe, superrrrrrrrr indico.

– Não se assustem, Paris é linda. Ainda vou mostrar.

5 comentários em “Paris. Apenas.

  1. Incrível como escreves fácil. Deixa qualquer história interessante.
    Tb senti dificuldade em comunicar-me em inglês por lá,mas tudo ocorreu bem.
    Ainda bem que apareceu quem a ajudasse .
    Bjs,chica!

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  2. Já que você vive na Argentina, Amanda, lembro uma historinha divertida do mago das letras argentinas, Jorge Luis Borges. Disseram-lhe certa vez que ele não era muito argentino, ao que ele respondeu: “Não devo ser mesmo, já que os argentinos preferem Paris e eu prefiro Londres”. Mas o Bioy Casares, amicíssimo de Borges, dizia gostar de ambas, igualmente. Sempre leio suas histórias, Amanda, apesar de eu ser um “chico”. Abraços.

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    1. Sim! Eu conheço esses. Quando digo que não tem nesse estilo, não é sobre dicas de Paris e sim a beleza das fotos, lifestyle, tipo de dicas mulherzinha que eu me identifico :)

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