O não se sentir em casa

Me responda quantos posts você já leu comentando os benefícios de morar fora? Como você muda a sua vida para melhor e como você passa a enxergar tudo de outra maneira? Muitos, né? Pois bem, eu mesma sou dessas que incentiva mesmo essa experiência fora do comum – que nenhuma outra vai poder substituir – mas vamos falar sério agora: que baita trabalheira não se sentir em casa em nenhum lugar depois.

Pqp. Já pensei muitas vezes em como seria minha vida se eu não tivesse saído de SP em um primeiro momento. De certo teria outros valores e consideraria que comprar o carro do ano não fosse um desperdício de dinheiro (como eu hoje vejo). Talvez achasse normal vender metade das férias para ter mais grana no banco (coisa que eu não faço nem a pau) e talvez, também, adorasse um outlet e viajaria para comprar (cada um tem sua opinião, mas eu particularmente não viajo para comprar roupa e outlet é algo que definitivamente não muda meu roteiro de viagem).

A parte boa de tudo isso é que eu me sentiria em casa. Ufa. E vocês não tem noção de como isso pode afetar positivamente sua vida. Eu tou num momento agora, juro, que não me sinto em casa nowhere. E as únicas pessoas que entendem isso são as que estão no mesmo pé que eu. Em Buenos Aires também não me sentia em casa e aqui muito menos. Not yet.

como me gusta la noche 🍸🌙.

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Fico pensando se isso um dia vai mudar. E fico pensando também nos fatores que iriam me ajudar nisso tudo: trabalho, namorado, família, carreira. Mas sabe quando nada encaixa? Sabe quando o coração pede para você voltar para casa? E você não sabe onde é tua casa? Pelo menos aquela psicológica, porque casa física você pode ter a casa dos seus pais ou a tua própria.

Já me adiantaram que eu vou ter que aprender a conviver com esse sentimento. Quem sai de casa não volta mais, não pelo menos de coração. Volta querendo ir e quando vai, chega querendo ir de novo e quando quer voltar não sabe por onde começar porque já nem se lembra de onde partiu e se era feliz nesse ponto de largada.

Be prepared  pra culpar outros sentidos da vida quando você não se sentir em casa mesmo morando onde você viveu a tua vida inteira. Porque algo muda, e não é o país que você escolheu, ou o ap maior ou menor que o anterior, ou a falta de um marido. Por mais clichê que seja, foi você. Só você. Culpa tua e das tuas escolhas.

la calle. la calor. la mañana.

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Hoje eu sei que meu poder de adaptação é alto e até quando comentaram sobre a possibilidade de eu passar uma temporadinha no México, a trabalho, eu curti. O que eu não curto mesmo é saber que sou uma espécie de alienígena no mesmíssimo lugar que nasci e que independente de onde eu vá, ou da minha adaptação ou do fato de amar ou não o lugar, eu raramente vou me sentir em casa. E isso é ruim. Não vou mentir. Queria mesmo poder chegar EM CASA e achar que tá tudo bem, sabe?  Sei lá, me conformar com o sonho brasileiro de ter uma casa, uma família e um carro. Ou achar que isso vai mudar algum dia, mas só de pensar que a vida “acabou”, de novo, bate uma deprê. E eu já fico pensando pra onde vou em seguida hahah e assim por diante.

me gusta el viento, me gusta soñar, me gusta la mar, me gustas tú. #manuchao

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Só pra avisar e contrariar tudo: tão ruim quanto não se sentir em casa é o fato de não ter tido a experiência de morar fora. Confundi vocês, né? É que a gente fica assim, um pé lá outro cá hihihi.

15 comentários em “O não se sentir em casa

  1. Amanda, querida, vc está numa fase de uma grande mudança, eu acredito que apenas é uma fase de transição, vc ainda vai ter novos e inspiradores projetos para realizar….. eu acredito que a vida nos leva aonde devemos chegar, mesmo quando achamos que estamos estagnados ou perdidos…. deixa rolar, às vezes, quanto mais pensamos sobre algo, mais difícil fica…… acho que por enquanto, é um dia de cada vez o que vc tem…… vc vai encontrar seu lugar no mundo….. ou quem sabe, vc seja uma eterna desbravadora…… o tempo é o senhor de todas as coisas não é?!
    um bjo com carinho!

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  2. Nossa ️️to na mesma pegada me sentindo perdida sai de casa cedo (16 vítima preconceito familiar) quebrei a cara errei pastei e acabei que “casei” sem contar que vivia mudando ou morando de favor depois de 3 anos montei meu negocio e super deu certo minha vida alavancou de basura p classe média mo meio do caminho muitos conflitos internos e um belo par de chifres me mataram por dentro pois era casada e sócia da empresa super p baixo e desmotivada chutei tudo conheci seu blog comprei uma passagem p Argentina sem conhecer ou falar nada de espanhol e fui me escafeder p lá fiquei pouco tempo 30 dias mas o suficiente p enxergar muitas coisas tudo tem seu preço mas minha paz minha mente não voltei percebi que com o tempo havia me tornado uma pessoa infeliz que tenta comprar a todo custo a felicidade por fim voltei agora começo março vendi minha parte sociedade p ex não sei o que vou fazer da vida agora se vou voltar à estaca zero se vou vender coco na carrocinha não sei se me mudo p Buenos p São Paulo não sei me sinto só e perdida mas de alguma maneira me sinto livre

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  3. Talvez a gente não tenha um lugar no mundo por que isso também é uma metáfora que colocaram na cabeça da gente…. Vivemos atrás dessa sensação de ‘estar em paz e completo em algum lugar’ e para mim, quanto mais tempo passa, isso não existe. Você vive o momento da melhor maneira possível e se abre para a vida… Ela pode te deixar onde está ou daqui a pouco, te levar para outro lado. A coisa é aceitar as coisas sempre mudam e que o bonito da vida é viver bem cada etapa que ela nos oferece…!

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  4. Concordo, chica. E acho que é algo meio sem volta. A gente tenta achar um conforto falando “sua casa é onde seu coração está”, até mesmo “sua casa é onde o wi-fi conecta automaticamente” hahahah, mas no fim, se sentir em casa é estado de espírito. Eu não me sentia em casa em São Paulo, me sentia na Alemanha, não me sinto em Curitiba. Mas hoje, quando volto a São Paulo, meu coração bate forte do mesmo jeito de quando volto a Recife, mas já houve época de eu não me sentir em casa em Recife também.
    É um sentimento quase inexplicável. E quem vê de fora, pfff… não entende nada.
    Hoje eu já consigo ver pelo lado bom, pois, dependendo do nosso mood, nossa casa pode ser no Japão ou ali na esquina. É o preço da evolução e suas inquietudes.

    É bom ser assim. Aflitivo, mas é bem bom. <3

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  5. Ih, então já vi que minha situação é ainda pior, pois não me sinto em casa mesmo sem nunca ter saído daqui. Bom, de cidade já mudei muitas vezes, saí da casa dos meus pais aos 14 anos, tive diferentes experiências no Brasil mesmo, e hoje não tenho a sensação de pertencer a lugar nenhum. Mas isso não me incomoda, pelo contrário! Acho bom não me sentir presa a um lugar, não ter apego a uma vizinhança, sabe? Mas se a sensação de se sentir em casa for pensar como a maioria das pessoas ao nosso redor, bom, então eu realmente nunca me senti em casa. Penso bem diferente da minha família, dos meus colegas de trabalho e de muitos amigos. Ficar aqui não significa querer o carro do ano ou viajar para fazer compras. Pensando assim, talvez você nunca irá se adaptar, mas espero mesmo que não! ;-)

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  6. Oi, Amanda. Vc está num período de transformação, e é sempre um pouco difícil, pq é necessário lidar com o fim de alguma coisa importante, ou que um dia foi importante, para que o novo se abra para vc. Vc criará novamente suas raízes, seja em Sampa, ou onde seu coração mandar. Bjs

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  7. Nunca tinha pensando assim, Amanda. Mas eu tenho pouco experiência de morar fora, só fiz intercâmbio de 6 meses. Posso imaginar que é um momento tenso: você perceber a “falta da casa”, no entanto, cada ser humano tem sua própria vivência e visão de mundo. Talvez essa sua “não-casa”te leve sempre pra o que é melhor pra você, e te ajude a compreender ainda melhor outras culturas. Algo que é muito difícil para os que são apegados à casa. Boa sorte aí nessa fase! Bjs

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  8. Pois é……..Sinto muito em não poder ajudar. Aos 64 four ainda vivo nesta dúvida. Até hoje, parte dele chora de saudade da Inglaterra e a outra, quer Porto Alegre.E quando estou em um desses lugares, sinto falta de algumas pessoas que gostaria, compartilhassem comigo e estão além mar.Talvez, a solução seja, mais do que uma viagem física, viajarmos dentro de nós. Who knows?

    P.S. E quando vou à Buenos Aires ,que também me parece fazer parte do meu coração, falta a Amanda. Boa sorte.

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  9. Engraçado eu também me sinto assim depois de oito anos morando fora, sensação de não estar em minha casa. E quando volto ao Brasil Me sinto como um peixe fora d’água. E por cima os meus pais partiram desta para melhor não tem mais este Porto Seguro ou seja não me sinto em casa em lugar nenhum do mundo .’beijos querida

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