Os Templos do Camboja

Logo que chegamos no hotel já fomos pedimos ajuda para coordenar os passeios que queríamos fazer. Para ficar fácil de entender todo o complexo de construções da cultura Khmer é chamado de Angkor Wat. Mas Angkor Wat é só um dos vários templos espalhados pelo local que é bem grande e não dá para fazer tudo em um dia só: tem que dividir em pelo menos dois e assim você consegue visitar boa parte. Depois de muito pensar, resolvemos conhecer os mais importantes no primeiro dia e no segundo ir um pouco mais longe até o templo Banteay Srei e combinar o passeio com o parque nacional Phnom Kulen.

Saímos do hotel às 8h, nosso guia foi nos buscar de tuk tuk e antes de chegar ao templo paramos para comprar os ingressos no Ticket Office – o que mais vale a pena é o que dá entrada por 3 dias no complexo e sai por USD 62 (um dia é bem pouco!), de lá fomos direto para o Angkor Wat.


Angkor Wat é a maior construção religiosa do m-u-n-d-o e também é patrimônio da UNESCO. O lugar foi construído como templo hindu (hoje é budista) no ápice do Império Khmer por mais de 30 anos e para os entendidos de engenharia foi um projeto digo de esmero para algo que foi colocado em pé lá no começo do século XII em cima de um pântano. Angkor foi a capital do Império Khmer e estima-se que viviam dentro do templo mais de 20.000 pessoas (e mais de um milhão nos arredores – hoje seria maior que Londres). Entre invasões, guerras e chuvas (muitas), Angkor foi sendo abandonada e somente então ocupado por monges budistas até que pelos anos 1600 franceses redescobriram o lugar para levar então ao destino turístico que é hoje. Desde o redescobrimento de Angkor muitos países passaram a patrocinar a restauração dos mais de mil templos que existem na região e hoje só é possível visitá-los por conta disso.


Apesar da restauração ter sido feita, o sentimento que se tem percorrendo as ruínas de Angkor é que está do jeitinho que deixaram. E é por isso que dá para sentir um peso andando por entre as pedras, os cantos escondidos, passeando sem destino por aquela imensidão. Um dos momentos que mais me impressionaram foi quando entrei em um dos vários corredores do templo e me deparei com uma janela, quando entrei por ela vi que estávamos muito alto e do alto eu conseguia ver o tamanho daquilo tudo e achei fantástico. Angkor é assim: você anda e do nada vê a imagem de um Buddha cheio de oferendas, anda mais um pouco e vê um monge. A mistura de tudo isso, com o calor, a história vai te fazendo sentir tocado – eu me senti, pelo menos.


Desde que nos mudamos para Singapura comecei a fazer aulas de meditação com uma monge budista muito por querer aprender a ser mais mindful (não ser apenas mais atenta, mas querer estar nesse estado de aproveitar o momento, ser mais calma e aceitar sentimentos e sensações) e apesar de parecer louco eu consegui sentir isso no Camboja. Poder andar pelos templos, percorrer os corredores sem destino e imaginar como as pessoas viviam ali e o peso espiritual que aquela construção tem para a população budista (maioria no Camboja) foi f***. Apesar de Angkor ter sido a capital do Império Khmer, ele também foi construído como a morada dos deuses e até hoje guarda esse peso. Não é a toa que pessoas peregrinam para lá e rezam aos pés dos vários buddhas que você encontra e querem ser abençoados pelos monges que também estão por lá.


Ficamos a manhã toda por Angkor Wat enquanto nosso guia contava incríveis histórias que foram talhadas nas pedras e paredes dos templos. O cuidado e a preciosidade de cada uma delas é bem impressionante – a maior parte dessas histórias tem a ver com as várias invasões e como o Império Khmer foi lutando contra seus inimigos (que podiam ser também deuses do mal).


Como o calor era bem grande, voltamos para o hotel antes de seguir para a segunda parte do dia e dedicamos então as outras horas para visitar os templos Bayon e Ta Prohm. Nosso guia disse que iríamos conhecendo os templos mais incríveis por último e ele não estava errado: Bayon e Ta Prohm foram mais impressionantes para nós que o próprio Angkor Wat.


Bayon fica na cidade antiga de Angkor Thom (dentro do complexo de Angkor Wat) e foi construído já como templo budista, estima-se, 100 anos depois da construção do Angkor Wat. As tão famosas faces (são 216) que estão esculpidas em suas torres representam as diversas faces do Buddha. Bayon é um templo único e bem impressionante.



Pertinho de Bayon fica Ta Prohm. Ta Prohm é o famoso templo onde as cenas de Tomb Raider foram filmadas e seu estilo se parece ao Bayon mas um pouco mais único: é ali que a natureza e a construção se encontram de uma maneira mágica.


À época de sua construção a natureza foi totalmente removida a fim de dar lugar a um monastério e universidade. Diferente dos outros, Ta Prohm é um dos templos que mais preserva as características originais de quando foi encontrado: a natureza tinha retomado o espaço todo e ninguém ousou tirar ela dali pela segunda vez. A combinação disso hoje é para deixar qualquer um de boca aberta. Ta Prohm é um templo menor que não contém tantas torres, mas foi o nosso preferido do primeiro dia de visitas. Percorrer as ruínas dali foi uma experiência única não só pela construção quase original que permanece, mas pela natureza que deixou tudo mais impressionate. Definitivamente Ta Prohm não pode faltar em uma visita ao Camboja.


No próximo post vou contar sobre o segundo dia de passeios e mais impressões incríveis do Camboja que a gente tanto amou.

2 comentários em “Os Templos do Camboja

  1. Oi Amanda! Blog lindíssimo, com ótimas dicas e fotos incríveis, as Always! Te acompanho desde a época de BAs e já peguei dicas ótimas com vc de lá, da Alemanha e agora vc de novo me ajudando a planejar a viagem para o Sudeste Asiático. Estou na expectativa em saber como foi o seu 2º dia no Camboja ;) Beijo grande e torcendo para vc continuar nos inspirando! Natalia

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