Banteay Srei e Phnom Kulen Park

No primeiro post mostrei os templos mais famosos do Camboja (veja aqui), mas no post de hoje vou mostrar o Banteay Srei e o parque nacional Phnom Kulen. Ambos ficam próximos um do outro, mas também a uma certa distância de Siem Reap. Nós pegamos um motorista e um carro do hotel e partimos bem cedinho para lá – demoramos ao redor de 2h para chegar. Vimos muitos tuk tuks no meio do caminho, mas se você puder vai de carro porque primeiro que é mais seguro e segundo que é mais rápido – juro que dava aflição toda vez que os carros passavam voando por entre os tuk tuks que íamos encontrando pela estrada.

Phnom-Kulen-Cambodia-4
Cachoeira dentro do parque.

O caminho não é maravilhoso e fora uma plantação de arroz ou outra não tem atrativos. Nossa primeira parada foi o Kulen Park. A estrada que te leva até o coração do parque é tão apertada (e mal feita) que até às 11:00 da manhã carros só entram e do meio dia até às cinco começa a operação descida, isso porque literalmente não tem espaço para dois carros passarem e não tem como fazer manobra. Tirando o aperto hehe a Kulen é considerada a montanha mais sagrada do Camboja isso porque acredita-se que o rei Jayavarman II nasceu e foi coroado lá.

Phnom-Kulen-Cambodia-3
Big Buddha no topo da montanha.

Existem mais de 50 (sim) templos no topo da montanha. Um deles é uma estátua de 8 metros do Buddha atingindo o nirvana (foto acima). Logo abaixo tem uma pagoda que recebe muitas visitas locais de gente que vem trazendo oferendas. É muito energizante ver as pessoas rezando e deixando flores de lotus nos pés do Buddha. Foi achei uma experiência incrível.

Depois de visitar o Buddha fomos passear pelas duas cachoeiras do parque. Cambojanos acreditam que as águas dessas cachoeiras são sagradas também e é muito comum ver gente levando garrafas de água embora pra casa.

Phnom-Kulen-Cambodia-7
O caminho para a cachoeira era cheio desses balanços. Muito amor.

Apesar do peso sagrado que o lugar carrega para quem acredita na divindade que ele possui, o parque é um típico passeio de final de semana dos moradores da região. E é por isso que curtimos tanto visitá-lo. É cheio de história, mas também é cheio de vida – famílias fazendo piquenique, crianças na água, gente tirando foto e aproveitando a natureza.

Phnom-Kulen-Cambodia-6
Segunda cachoeira dentro do Phnom Kulen.

Saindo de lá partimos para Banteay Srei e um fato: foi o tempo que mais gostamos de visitar. A construção vem lá de 967 e é um dos menores templos de Angkor e mais se parece a uma galeria de arte tamanha a maravilha das esculturas de pedra que existem por lá. Me lembro que logo depois que fomos embora, abri um artigo da Lonely Planet que dizia que para muitos, Banteay Srei é considerado a jóia da coroa da arte angoriana e a gente não poderia concordar mais.

Banteay-Srei-Cambodia-4
O templo mais lindo de todos.

Banteay Srei significa ‘Citadela das Mulheres’ e nosso guia comentou que o templo deve ter sido construído por mulheres já que os detalhes nas esculturas não conseguiriam ter sido feito por homens. Não é só aí que se vê a feminidade do templo: em algumas esculturas você consegue perceber pessoas segurando flores de lótus que acreditam que sejam mulheres. Banteay foi a nossa surpresa desse dia.

Banteay-Srei-Cambodia-1
Cores.
Banteay-Srei-Cambodia-2
Detalhes <3.

Não nos cansamos de ver os detalhes em cada pedra e parede do templo e apesar da visita durar 50m nós poderíamos ter passado muito mais tempo por lá. Logo na saída do templo, há também um museu que demonstra os vários achados quando o templo foi redescoberto e a saga para a sua restauração nos anos 30 – dizem ser também uma das restaurações mais bem feitas do mundo e por isso a experiência por lá é tão significativa: está tudo bem conservado. E logo na saída do templo tem também um cafezinho delícia no qual paramos para comer algo e descobrimos que o café do Camboja é  maravilhoso.

Banteay-Srei-Cambodia-3
A gente poderia ter ficado lá um dia inteiro.
Banteay-Srei-Cambodia-5
Pode voltar?

Chegamos a conclusão que nossa ordem de preferência de templos no Camboja aconteceu em order inversa as nossas visitas. Jamais desmerecendo nenhum daqueles que visitamos no comecinho, mas a impressão que tivemos era que a maior distância de Angkor e menores os templos, maiores as histórias.

Os Templos do Camboja

Logo que chegamos no hotel já fomos pedimos ajuda para coordenar os passeios que queríamos fazer. Para ficar fácil de entender todo o complexo de construções da cultura Khmer é chamado de Angkor Wat. Mas Angkor Wat é só um dos vários templos espalhados pelo local que é bem grande e não dá para fazer tudo em um dia só: tem que dividir em pelo menos dois e assim você consegue visitar boa parte. Depois de muito pensar, resolvemos conhecer os mais importantes no primeiro dia e no segundo ir um pouco mais longe até o templo Banteay Srei e combinar o passeio com o parque nacional Phnom Kulen.

Saímos do hotel às 8h, nosso guia foi nos buscar de tuk tuk e antes de chegar ao templo paramos para comprar os ingressos no Ticket Office – o que mais vale a pena é o que dá entrada por 3 dias no complexo e sai por USD 62 (um dia é bem pouco!), de lá fomos direto para o Angkor Wat.


Angkor Wat é a maior construção religiosa do m-u-n-d-o e também é patrimônio da UNESCO. O lugar foi construído como templo hindu (hoje é budista) no ápice do Império Khmer por mais de 30 anos e para os entendidos de engenharia foi um projeto digo de esmero para algo que foi colocado em pé lá no começo do século XII em cima de um pântano. Angkor foi a capital do Império Khmer e estima-se que viviam dentro do templo mais de 20.000 pessoas (e mais de um milhão nos arredores – hoje seria maior que Londres). Entre invasões, guerras e chuvas (muitas), Angkor foi sendo abandonada e somente então ocupado por monges budistas até que pelos anos 1600 franceses redescobriram o lugar para levar então ao destino turístico que é hoje. Desde o redescobrimento de Angkor muitos países passaram a patrocinar a restauração dos mais de mil templos que existem na região e hoje só é possível visitá-los por conta disso.


Apesar da restauração ter sido feita, o sentimento que se tem percorrendo as ruínas de Angkor é que está do jeitinho que deixaram. E é por isso que dá para sentir um peso andando por entre as pedras, os cantos escondidos, passeando sem destino por aquela imensidão. Um dos momentos que mais me impressionaram foi quando entrei em um dos vários corredores do templo e me deparei com uma janela, quando entrei por ela vi que estávamos muito alto e do alto eu conseguia ver o tamanho daquilo tudo e achei fantástico. Angkor é assim: você anda e do nada vê a imagem de um Buddha cheio de oferendas, anda mais um pouco e vê um monge. A mistura de tudo isso, com o calor, a história vai te fazendo sentir tocado – eu me senti, pelo menos.


Desde que nos mudamos para Singapura comecei a fazer aulas de meditação com uma monge budista muito por querer aprender a ser mais mindful (não ser apenas mais atenta, mas querer estar nesse estado de aproveitar o momento, ser mais calma e aceitar sentimentos e sensações) e apesar de parecer louco eu consegui sentir isso no Camboja. Poder andar pelos templos, percorrer os corredores sem destino e imaginar como as pessoas viviam ali e o peso espiritual que aquela construção tem para a população budista (maioria no Camboja) foi f***. Apesar de Angkor ter sido a capital do Império Khmer, ele também foi construído como a morada dos deuses e até hoje guarda esse peso. Não é a toa que pessoas peregrinam para lá e rezam aos pés dos vários buddhas que você encontra e querem ser abençoados pelos monges que também estão por lá.


Ficamos a manhã toda por Angkor Wat enquanto nosso guia contava incríveis histórias que foram talhadas nas pedras e paredes dos templos. O cuidado e a preciosidade de cada uma delas é bem impressionante – a maior parte dessas histórias tem a ver com as várias invasões e como o Império Khmer foi lutando contra seus inimigos (que podiam ser também deuses do mal).


Como o calor era bem grande, voltamos para o hotel antes de seguir para a segunda parte do dia e dedicamos então as outras horas para visitar os templos Bayon e Ta Prohm. Nosso guia disse que iríamos conhecendo os templos mais incríveis por último e ele não estava errado: Bayon e Ta Prohm foram mais impressionantes para nós que o próprio Angkor Wat.


Bayon fica na cidade antiga de Angkor Thom (dentro do complexo de Angkor Wat) e foi construído já como templo budista, estima-se, 100 anos depois da construção do Angkor Wat. As tão famosas faces (são 216) que estão esculpidas em suas torres representam as diversas faces do Buddha. Bayon é um templo único e bem impressionante.



Pertinho de Bayon fica Ta Prohm. Ta Prohm é o famoso templo onde as cenas de Tomb Raider foram filmadas e seu estilo se parece ao Bayon mas um pouco mais único: é ali que a natureza e a construção se encontram de uma maneira mágica.


À época de sua construção a natureza foi totalmente removida a fim de dar lugar a um monastério e universidade. Diferente dos outros, Ta Prohm é um dos templos que mais preserva as características originais de quando foi encontrado: a natureza tinha retomado o espaço todo e ninguém ousou tirar ela dali pela segunda vez. A combinação disso hoje é para deixar qualquer um de boca aberta. Ta Prohm é um templo menor que não contém tantas torres, mas foi o nosso preferido do primeiro dia de visitas. Percorrer as ruínas dali foi uma experiência única não só pela construção quase original que permanece, mas pela natureza que deixou tudo mais impressionate. Definitivamente Ta Prohm não pode faltar em uma visita ao Camboja.


No próximo post vou contar sobre o segundo dia de passeios e mais impressões incríveis do Camboja que a gente tanto amou.

O Surpreendente Camboja

Desde que nos mudamos para a Ásia lugares não faltam para uma viagem de final de semana. Tem tantos destinos que combinamos de irmos revezando na hora de escolher o próximo: eu escolhi Phuket e maridón optou por Siem Reap, no Camboja. Confesso que entre todos os posts que tinha lido sobre, o Camboja era sim um lugar que queria ir, mas não tão cedo. Eu não sei se os artigos que li não foram bons ou se as pessoas realmente não curtiram o destino porque nada como ir e ver com os próprios olhos: cara, que lugar fod***!

Sei que uma viagem boa depende de vários fatores: companhia, clima, hotel, refeições, amabilidade do povo que te atende e por aí vai e não sei se demos sorte ou se o Camboja é assim mesmo, mas foi tudo tão incrível que quero compartilhar tim tim por tim tim desde o comecinho caso vocês queiram fazer um copy paste dessa viagem.

Viajamos à Siem Reap, que apesar de não ser a capital do Camboja, é onde está a parte turística e mais histórica do país. A capital Phnom Penh também é uma opção para quem tem mais tempo e de lá até Siem Reap são 6h de viagem de carro (ou 45m de avião), mas se você tem poucos dias vá direto a Siem que é a cidade do templo Angkor Wat.

Brasileiros precisam de visto para o Camboja (que apesar de ser um país simples com muitas ruas de terra, trânsito caótico, tuk-tuks para todos os lados e por aí vai), tem um sistema mega eficiente para pedir vistos online – clique aqui para ir para o site. O nosso ficou pronto de um dia para o outro e foi muito melhor para evitar a fila na hora do desembarque e há quem diga que até rolam valores mais altos se você fizer o visto on arrival (na hora do desembarque) – Camboja também tem certa fama por corrupção.

Nosso hotel, o maravilhoso Phum Baitang, incluiu na diária os transfers de e para o aero – que foi incrível. Não quero imaginar o que seria ir de tuk tuk com as malas ahaha, no mínimo uma experiência legal.

Faz muito calor no lugar e a umidade não é fácil de lidar, portanto só leve roupas leves na mala e sapatos confortáveis para caminhar o dia todo – é um pouco tenso andar de rasteirinha por lá, mas tem gente que arrisca. Para as mulheres: não podemos usar nada acima dos joelhos, a entrada nos templos não é permitida assim e tanto para homens e mulheres não rola usar regatas, as roupas têm que cobrir os ombros. Eu usei um vestido bem fresquinho e rasteirinha no primeiro dia (que depois troquei pelo All Star por conta da terra e formigas!) e no outro uma saia e uma camiseta branca de algodão.

Como faz um calor intenso, as idas aos templos têm que ser planejadas: fizemos dois dias completos de passeios, mas paramos nos dois dias para descansar do meio dia às duas da tarde. Muito repelente, protetor solar, chapéu, água e óculos de sol. Muitos passeios saem ao redor das 5h da manhã justamente para fazer esse break no meio do dia (e também para ver o nascer do sol nos templos).

Angkor é enorme e nem de perto rolar fazer tudo em um dia, dedicar dois dias é o mínimo! Para entrar na região dos templos é necessário comprar ingresso antes, caso você vá passar mais de um dia visitando os templos da cidade a recomendação é comprar o passe de 3 dias. Os ingressos são cobrados em dólares americanos que, aliás, é a melhor moeda para levar para lá – não troque pela moeda local e nem dependa de cartões de crédito – pouquíssimos lugares aceitam.

A região toda foi sede do Império Khmer de 802 d.C. até 1400 e tantos quando invasores da Tailândia saquearam a cidade e o povo migrou para Phnom Penh, hoje a capital do Camboja. Não fosse a invasão e também o grande diluvio incessante na região, hoje Angkor seria a maior cidade do mundo – estima-se que à época residiam mais de 750,000 pessoas, hoje seria até maior que Londres.

Hoje, as ruínas de Angkor residem no meio de florestas e são patrimônios da humanidade. Essas mesmas ruínas foram sendo descobertas ao longo dos anos e com a ajuda da tecnologia muitos templos puderam ser reconstruídos. Angkor Wat, um dos templos da região, é hoje o maior monumento religioso do mundo. Esse documentário da BBC ajuda a entender muito a história do lugar (e recomendamos assistir antes de visitar).

Nos próximos posts vou contar mais do nosso hotel e dos dois dias de passeios que fizemos. Espero que gostem!