De Berlim à Modena: hospedagens e translados

Quando começamos a nos programar para nossa viagem tínhamos duas certezas: teríamos que começar pela Alemanha já que o Marcos ia correr a maratona em Berlim e deveríamos encerrar em Modena porque conseguimos a reserva na Osteria Francescana – o que iria acontecer no meio foi uma incógnita por muito tempo. Primeiro porque nós dois não temos foco: eu queria ter ido para a Grécia (e cobro ele até hoje por isso haha) e por ele nós teríamos chegado até a Sérvia.

Tentamos fazer um roteio meio nosso meio standard e fechamos no seguinte: Berlim, Praga, Budapeste, Viena, Hallstatt, Veneza, Modena, Verona. Dava pra colocar mais cidades e dava pra tirar algumas, mas ficou uma delícia esse roteiro e nós amamos.

Viajamos de São Paulo à Frankfurt e de lá à Berlim via Lufthansa (pegamos uma promo mara que vimos no Melhores Destinos, R$ 1500 cada passagem) e voltamos de Veneza a Frankfurt e de lá à São Paulo.

Em Berlim, o Marcos já tinha hotel fechado por conta do pacote da maratona e acabamos ficando no Ramada Mitte. Não é o estilo de hotel que eu procuro e pelo preço que ele vale dava pra ter ficado em um lugar BEM melhor, mas já estava pago e a gente não vai reclamar né? Hahah. Ele fica bem localizado, perto de metrô, mercado, lojinha e restaurantes e é um hotel mais estilo Ibis. Na tarifa não tem café da manhã e a acomodação é bem ok. Ponto. Da janela tinha um vista bonitinha.

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De Berlim para Praga fomos de avião (saiu mais barato que trem) num teco teco que quase enfartei quando vi: não curto aviões – pra você que chegou agora nesse blog. Depois de muitas respirações e água, a viagem rolou tranquilamente. Em Praga nós nos hospedamos no hotel Rott. Não foi uma tarefa muito fácil escolher porque vimos vários lugares bem lindos por lá, mas o Rott no final das contas foi uma boa opção e mega bem localizado com café da manhã gostoso, atendimento honesto, comodidades legais e wifi haha.

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Decidimos ir de Praga a Budapeste via trem e, apesar de não curtir avião, me arrependi de não ter voado. O trem húngaro que saiu de Praga era bem velho e também não era muito limpo hehe. A viagem toda tinha mais de 8h de duração e o trem não era nada confortável para dormir, além de ser bem frio.

Tirando o incômodo e a minha recomendação de fazer esse trecho por vias áreas, eu AMEI Budapeste – depois escrevo mais sobre. O cidade legal viu? Os hotéis lá são bem em conta e ficamos em um incrível, o Moments. A equipe do hotel era incrível e eles foram os responsáveis pelo melhor café da manhã da viagem e também o hotel mais barato que nos hospedamos.

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Nossa seguinte parada foi Viena. E Viena é muito cara, acho que foi a cidade mais cara da viagem, sem brincadeira. Por isso escolhemos um baita ap no AirBnb que foi um achado> esse aqui ó. Nossos hosts foram uns queridos e não poderíamos ter acertado mais.

O ap era lindo, super limpo, arejado, tinha uns biscoitinhos que eu viciei (vide os da foto abaixo) e era mega bem equipado: deu pra cozinhar super e curtir os dias de chuva que rolaram pela cidade.

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Desde que fechamos o roteiro da viagem queríamos incluir uma cidadezinha de interior no meio e Hallstatt foi a nossa escolha. A cidade é minúscula e parece saída de um conto de fadas (vou contar mais sobre ela nos posts a seguir) <3. Escolhemos o Hallstatt Hideaway para nos hospedar dentre tantas opções que pareciam ser saídas, também, de contos de fadas.

O que eu mais curti dessa pousada era a vista que tínhamos do quarto e o fato de ser cuidado pelos próprios donos, o que faz do lugar ser bem caseirinho.

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Nossa última parada foi Veneza. Como Veneza foi o lugar que passamos maior tempo fomos logo de AirBnb, caso contrário teríamos que ter vendido um rim para conseguir um hotel decente a bom preço. Demos sorte e escolhemos um ap que além de ser bem recomendado, era bem localizado e bonito :) link aqui. O único porém é o barulho da galera que passa na rua à noite, mas fora isso é uma bela pedida.

Sei que não é muito comum ficar em AirBnb em Veneza já que as casas por lá são bem velhas e custa achar algo honesto, logo aproveitem esse ap gostoso. E ah, o restaurante que fica na frente dele é fantástico também.

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Nos posts a seguir vou comentar mais sobre os lugares que visitamos, comidinhas e dicas em geral. :) Espero que tenham curtido as indicações e qualquer dúvida é só colocar nos comentários abaixo.

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Osteria Francescana: um almoço de 4 horas

É fato. Esse restaurante virou ponto turístico da pequena, deliciosa e italianíssima Modena. Antes de entrarmos para o tão esperado almoço da nossa viagem, era comum ver pessoas parando à porta para tirar uma foto junto do nome do local.

A casa fica em um ponto tranquilo da cidadezinha e quem vê de longe (e não sabe), nunca desconfia que por ali reside o melhor restaurante do mundo, para alguns.

Quando chegamos por lá, já haviam algumas pessoas esperando para entrar. Não há como bater à porta. Só esperar até que enfim, alguém abre.

No meio disso tudo, há de tudo: pessoas deslumbradas, curiosas, bem vestidas, uns de All Star e, sim, outras ansiosas.

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São 12 mesas que comportam, no máximo, 4 pessoas cada. A decoração é irregular, tem quadros com caras e bocas por todas as partes, uma estátua que parece saída de um Madame Tussaud e cortinas tortas.  Parece uma galeria de arte. Bingo!

Há, basicamente, um garçom por mesa, mas cada um deles têm uma função especial: um que comenta os ingredientes de cada prato, outro que serve, outro que puxa tua cadeira para você se sentar, outro que serve vinho e outro que te mima* (vou falar dele no final, lembre-se disso).

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Começamos com uma entradinha. Versão phyna de Fish & Chips – peixe de água doce em cima de um tempurá com gelato de ervas. Acompanhado de uma taça de Château Guiraud Sauternes 2009, bem docinho oriundo de Bourdeaux.

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Nesse drink lindo tinha lavanda  ervas, alecrim, soda especial e água que vinha de alguma localidade que não me lembro o nome. Além de bonito era bem refrescante.

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Primeiro prato do menu degustação: Omaggio alla Normandia (Tribute to Normandy). Apesar de parecer uma ostra, não era uma ostra. E apesar da tua memória trazer sabor de ostra ao prato era um tartar de cordeiro com maçã verde.
Aqui a gente começa a perceber que eles brincam legal com os nossos sentidos e memória olfativa . Adoro esse nó que dá na cabeça.

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Melhor bebida do dia: Shuzo Tsuru-ume Yuzu-shu (tive que dar um search no google ahah). Blend de sake com suco de yuzu (?) que é FANTÁSTICO e não tem gosto de álcool. Repetimos. Sem contar que a garrafa era linda e ficamos com vontade de conhecer outras garrafas desse pequeno produtor no Japão, conforme explicou o nosso sommelier.

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O sakê veio para combinar com o segundo prato: Una lenticchia meglio del caviale (Lentils are better than caviar).
Eu não como há tempos caviar para dizer se o prato de fato era melhor a, mas as lentilhas vinham sob beterrabas e tinha crocante de pão junto. No final da apresentação nosso garçom terminou com um “Almost better than beluga caviar” com aquele sorriso de quem acabou de fazer uma piadinha sacana.

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Outro vinho gostoso: Fonte Canale Trebbiano D’Abruzzo para combinar com o terceiro prato. ‘Riso Levante’. Arroz cozinhado no azeite de oliva e frutas cítricas.

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O prato mais lindo do almoço: Mediterranean sole. Um peixe que foi preparado em parte no sal, em parte no papel e no molho Meunière. O aspecto já dava toques da obsessão do Massimo pela arte. Tem gente que acha bonito e tem gente que acha estranho. Eu nunca entendi muito bem de arte, mas foi um dos pratos preferidos do almoço.

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O quinto prato foi o ”Una ceviche in autunmo, a Modena” (An autumn ceviche in Modena). Esse também era dos pratos que não era o que parecia ser. Na real ali dentro tinha trufa, alcachofra, abóbora, cogumelos e cositas más. O consenso, no entanto, foi de que preferimos ceviches clássicos ahaha.

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Esse outro pairing era um hidromel. Eu anotei tudo que tomei no notes do Iphone, mas nem eu entendi o que o corretor fez com o nome dessa bebida. logo, não sei como se chama.

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Mas gostamos mesmo da cor. Já tinha bebido muito a essa altura.

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E daí chegou o carro chefe da noite.
A cobertura extra do bolo.
A Angelina Jolie do red carpet.
A atração principal do Lollapalooza.

“Cinque stagionature del Parmigiano Reggiano in diverse consistenze e temperature” (Five ages of Parmigiano Reggiano in different textures and temperatures).
MAMMA MIA. melhor prato!!!! pelo menos nisso eu e Marcos concordamos ahahaha (mentira, a gente concorda em outras coisas tb).São cinco idades do queijo em diferentes texturas e temperaturas. Uma cola que peguei de um site:
– o creme tinha queijo envelhecido por 24 meses.
– soufflé, 30 meses.
– espuma, 36 meses.
– a parte crocante, 40 meses.
– nuvenzinha branca, 50 MESES!
Impressionante, galera.Eles sugerem, a cada colherada/ garfada, pegar um pouquinho de cada camada e é nessa mistura de queijos e idades que a mágica acontece. Músiquinha da entrada do Chef’s Table aqui, por favor.

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Tão impressionante e tão amado que merece outra foto.
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E daí me inspirei na arte do Massimo (e nas n bebidas que tomei) e comecei a ver paleta de cores nas taças de vinho que não conseguia terminar a mesa.
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E aí chegou a famosa lasanha desconstruída que teve uma galera que achou que era torresmo na parte de cima. Mas calma, não era. esse foi o sétimo prato da noite: “La parte croccante di una lasagna” > não preciso colocar o nome em inglês neh?
Esse prato era feita com ragu de porco, molho bechamel e coberto com a massa crocante da lasanha. Poderia viver comendo essa lasanha e o prato de queijo da foto anterior.Memorável.
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Nessa altura do campeonato eu não conseguia contar direito quantas taças de vinho já tinha tomado e nem em qual passo do menu estávamos, mas a mesa ficou lindona.
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E comecei até a tirar foto do restaurante. Ps.: a mesa do lado começou a tirar selfie com os garçons a falta de Massimo, que estava em NYC com Atala. sdds, Bottura.
Ps 2.: quem viu o episódio dele no Netflix vai lembrar dessas pombinhas.
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Eu poderia ter acabado o almoço por ali, mas ainda tinha o MAIN COURSE ahaha “Alla cena di Trimalchione: faraona nello stile degli Antichi Romani” (At the dinner of Trimalchione: fowl in the ancient Roman style).
Galinha pinta-dinha (literal) com figos, batata, damasco, alecrim, escarola e vinho (no molhinho que acompanhou o prato). Muitooo saboroso.
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Haters gonna hate. 9o prato da noite: palitinho de foie gras, ou melhor dizendo, “Croccantino di foie gras”.
Vou ser sincera e dizer que nunca tinha comido tamanha quantidade concentrada de foie gras na minha vida (e não caiu muito bem), mas segui a sugestão do nosso garçom que avisou: “pra comer de uma vez só”.
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E quem disse que salada vem antes do principal, errou. no Osteria foi o último e décimo passo, antes da sobremesa e um dos pratos preferidos do Marcos. Eu achei bem perfumada e não gostei de comer frôzinha com lavanda mas era bem lindona.

“Caesar salada in bloom”. Alface com ervas aromáticas, flores, iogurte de leite de amêndoas em infusão de camomila e lavanda. Também usaram nessa salada um balsâmico próprio, que ganhamos depois na saída e que estou com dó de usar.

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E aí finalizamos com a famoooooosa “Oops! Mi è caduta la crostata al limone” (Oops! I dropped the lemon tart). A apresentação desse prato é tão incrível que até ganhou um prato especial para. e é bem típica dessa alma artística do chef que odeia coisas certinhas e fru-frus.
Sorbet de limão com sambayon de limão, bergamota cristalizada e molho de hortelã. Eu amo tortinha de limão e não poderia desgostar dessa.
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    mesa linda. E ainda tinha um drink bem delicioso para finalizar.
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E ainda pedimos café que veio com outros doces e macarons. Eu não aguentei comer haha.
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Finalizamos nossa experiência depois de vários pratos, taças e uns euros (melhor não contar essa parte) caminhando até a estação de trem que nos levaria de novo a Veneza.

Confesso que eu fiquei bem preocupada desde o começo em aproveitar demais a experiência. e por várias vezes enquanto estávamos por lá, nos lembrávamos de o quão sortudos éramos (somos) por estarmos vivendo aquilo.

Eu até fiquei tensa. queria prestar atenção em cada detalhe, em cada prato, em cada talher. e agradeço por ter feito o wine pairing junto. Porque, de verdade, ele me ajudou a relaxar e curtir .

Não há muito o que esperar do Osteria que, no final das contas, é um restaurante, além de boa comida e atendimento – que cobra caro por isso. Talvez o que mais me chamou a atenção foram as histórias das pessoas que ali estavam conosco.

Um casal de senhoras que estavam viajando pela Itália e pararam em Modena só para aquilo. aliás, lembram do garçom que mimava da primeira foto? Pois bem, esse cara, a pedido das senhoras, dirigiu o carro alugado delas por Modena, fez check in no hotel delas por elas, portou os passaportes das senhoras até o hotel e pagou a multa que elas levaram por terem estacionado em lugar errado no centro da cidade (tudo isso enquanto elas almoçam felizes, claro que o valor da multa foi repassado ao garçom depois, mas os outros “mimos” foram pagos com gorjeta).

Voltando as pessoas. Além das senhoras, um casal de lua de mel. um grupo de amigos de Portugal (entre eles, uma menina que tinha nojinho de comer tudo ahah).
Um trio de bees que estavam super animadas e tiravam selfies a cada prato de NYC.

E claro, um casal que queria comer horrores e saiu de lá bêbado demais. Tão bêbado que paramos depois na praça central de Modena para comprar charuto (pro Marcos, eu não fumo ahah) e engatamos conversa com um senhor que sabia demais da máfia italiana e amava os jogadores da seleção brasileira – quando ela era boa haha.

E assim voltamos dormindo para Veneza. Passamos o resto do dia sem querer comer. e no outro dia, acordamos com fome, de novo.

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 (sei que alguns de vocês devem ter perguntas, portanto podem fazer nos comentários).